Fofonetes

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Os Gatos: Mitos e Fatos

Os gatos: mitos e fatos

 

Trabalhar com a temática abolicionista animalista é uma teia complexa. As relações vão desde os animais que estão presentes em nosso convívio aos que estão muito longe. Mas a empatia é a mesma. Gato, rato, cachorro, baleia, peixe, porco, papagaio, todos eles nos interessam enquanto indivíduos. Hoje os gatos serão o pretexto para meu texto.
Escrevo agora, como sempre, tendo por companhia e expectadores, os gatos. Hoje são quatro: um sentado ao lado do computador (Maria), me olhando nos olhos séria e inquisitivamente, e de tempos em tempos colocando a mão (ou pata, para quem preferir) no meu rosto como a dizer “chega disso, não”? “olha eu aqui”! Outro, dormindo em um armário acima da minha cabeça (Kkí) e outros dois na janela (Fio e Amaiéiu), “namorando” os passarinhos lá fora. Ao todo, minha família de não humanos, hoje chega a um total de 25. Todos adotados (23 gatos e 02 cachorros). Muitos em condições lamentáveis. Não fui atrás de nenhum. Todos jogados na porta de casa.

Hoje, são todos castrados. Nenhum obeso. Muito ativos. Com muito espaço fora de casa e muitas árvores, um quintal onde vivem a dormir, correr, brincar, caçar, enfim, interagir com seus iguais (já dizia Paul Loeb que o melhor exercício para um gato é outro gato). Os que querem, tem trânsito livre dentro da minha casa e liberdade inclusive para ir embora.  Todos tem o direito de ir e vir. Se bem que, com a vida que levam, ninguém nunca “foi”.  Não lembro nenhum momento da minha vida que não tenha compartilhado com uma família não humana.
Além de considerações sobre alguns mitos que os animais humanos disseminam sobre os gatos, pretendo dentro dos limites de minhas leituras e experiências, escrever também um pouco sobre o comportamento deles. E nenhuma novidade para quem convive com uma ou mais dessas “esculturas vivas”, como diria o escritor Wesley Bates.
Ouso, ao escrever sobre o comportamento deles. Ouso, porque escrevo principalmente com uma base empírica de observação. Embora possa prescindir de uma leitura mais aprofundada para o nível de considerações que pretendo tecer aqui, já li várias obras, de vários níveis, sobre os gatos. E apesar de escrever embasada em literatura específica, a maioria das considerações aqui descritas vem de uma vida toda de convivência com eles. Tenho um laboratório ao ar livre.
Antes, gostaria de fazer duas considerações que julgo fundamentais:
1. À semelhança do que ocorre com os seres humanos, não podemos esquecer que cada ser é único em sua história e essência. Todo ser é o resultado do genótipo que se manifesta (hereditariedade) moldado pela influência do meio em que vive (fenótipo). Assim, considerando aspectos somáticos e comportamentais, não podemos rotular nenhum ser: “os gatos são preguiçosos” ou “os gatos são mais carinhosos que os cachorros” ou “os seres humanos são estúpidos”. Essas afirmações refletem um padrão geral de comportamento do qual as pessoas têm referência. Meus gatos são todos diferentes, embora pertençam à mesma espécie: um é preguiçoso, outro é hiperativo. Um é mais individualista, outro, mais altruísta; um não gosta de colo, outro não perde a chance de se enrolar quando encontra um; um é guloso, outro, faz pacientemente sua refeição; um gosta de caçar, outro, nem liga…cada um age conforme seu genótipo e seu fenótipo. Ao escrever, levo em consideração tudo isso.
2. Escrever sobre as emoções dos animais requer uma dose de coragem dentro de nossa sociedade machista, reducionista, utilitarista e instrumental. Há muitas coisas sobre as quais temos que nos debruçar mais antes de tecer qualquer comentário sobre a inexistência de uma racionalidade entre os animais não humanos. Como explicar, por exemplo, o “dom de Oscar”? Oscar era um gato que morava em uma clínica de repouso. Quando Oscar deitava aos pés do leito de um paciente, este vinha a falecer no mesmo dia. Assim foi com todos os pacientes do Dr. David Dosa, geriatra, que transformou sua história em livro.
Como nos lembra Jeffrey Moussaieff, a maioria das pessoas comuns que tem contato direto com os animais, aceita livremente a realidade das emoções nesses seres. O pesquisador faz um alerta também sobre o preconceito de uma ciência dominada pelos homens, relegando as mulheres o rótulo de “mais propícias à empatia”. Jane Goodall, Susan McCarthy, Julia Butterfly, entre outras, através de seus trabalhos sobre as emoções dos animais, derrubam os argumentos que embasam esses preconceitos. Jeffrey alerta ainda para os riscos da condenação do termo “antropomorfismo” no campo das emoções dos animais.
“da crença que o antropomorfismo é um erro terrível, um pecado ou uma doença, geram-se mais tabus de pesquisa, incluindo regras que ditam o uso de linguagem. Um macaco não pode estar com raiva: ele exibe agressão. Uma garça não sente afeição: ela mostra cortejamento. Uma chita não é assuntada por um leão, ela exibe comportamento de fuga”.
Frans de Waal tem sido frequentemente criticado pela comunidade científica ao utilizar a palavra “reconciliação” referindo-se a chimpanzés que voltaram a ficar juntos após uma briga. Para a “comunidade científica” o termo correto seria “primeiro contato pós-conflito”.
O biólogo Julian Huxley argumenta contra essa ortodoxia científica e defende que a capacidade de se colocar no lugar de qualquer outro animal é cientificamente justificável e produtivo ao conhecimento.
Os behavioristas inflexíveis que me perdoem. Com relação aos animais, sou completamente empática.
Pelo fato de ter uma convivência grande, em tempo e intensidade com os gatos (e com as pessoas), fico pasma ao ouvir certos comentários sobre esses felinos domesticados. Algumas dessas pessoas era de se esperar que fossem muito bem instruídas, mas não. Tenho alguns subsídios para afirmar que apenas seguem o coro hegemônico (o “dito desconexo”, de Regan). Algumas afirmações são meros frutos da desinformação. Algumas pessoas repetem o que ouvem sem analisar o que está escrito nas entrelinhas. Outras são superstições que as pessoas insistem em disseminar. A cultura especista, que privilegia uma ou mais espécies em detrimento de outras, reforça essas afirmações.
MITOS SOBRE OS GATOS: Alguns absurdos que tentam justificar maus tratos, negligência e preconceito.
1. “tenho que me desfazer dele (do gato) porque estou grávida”.
- qual a relação fundamentada entre estar grávida e o fato de conviver com gatos ou qualquer outro animal? Aqui, inverto o dito popular. No caso, “é melhor remediar (descartar o gato) do que prevenir (tomar os simples e devidos cuidados)”. E “desfazer” é um termo recorrente na boca de quem quer sempre a solução mais fácil. Pobres pais e mães que através do exemplo ensinam aos filhos que a vida é descartável…muitos pais vão parar no asilo futuramente ou terão futuro pior (não é praga, é infelizmente, constatação). Porque quando começarem a “incomodar” os filhos com as mazelas da senilidade, estes também desejarão “se desfazer”. E fatalmente o farão.
2. “gato é perigoso porque transmite toxoplasmose”.
- juro que não entendo esse rebuliço. Algumas pessoas pensam que, por osmose, podem contrair a doença. Assim algumas pessoas também pensam e agem com relação à AIDS. Com uma certa licença poética, pergunto: “Vai comer o cocô do gato, por acaso”? Sou bióloga e creio que a pessoa que sabe como se adquire a toxoplasmose, sabe também o mínimo sobre noções de higiene. Na gravidez e fora dela. Alguns médicos mal informados ou temerosos, com a chancela do conhecimento científico especista elitista ajudam a engrossar esse coro.
3. “Não posso ter gato porque tenho rinite”.
- A crise de rinite não é desencadeada pelo gato. E sim pelos ácaros que podem estar nos pêlos dele. Assim como podem estar na poeira por toda a casa, roupas e etc.
4. “Gato preto dá azar”.
- por mais medieval que soe, há pouco ouvi isso dentro do ônibus. Algumas pessoas odeiam gato preto. Eles carregam o estigma da Idade Média. Por muito tempo, os gatos foram acusados de serem demoníacos, principalmente os de cor preta. Isso custou a vida de milhares de gatos, que foram cruelmente perseguidos, capturados e jogados à fogueira. Sem falar que percebo o preconceito também com os malhados (tenho uma, a Tigrinha). Aqueles que são uma mistura de todas as cores. Muitas pessoas confundem com doença de pele. São sempre os últimos na fila da adoção. Preconceito com a cor da pele. Qualquer semelhança não é mera coincidência…
5. “O gato é traiçoeiro”:
- gato não é de pelúcia. Se ele não gosta que um estranho o pegue no colo, ou pior, se alguém fica testando a paciência dele através de “brincadeiras” de mau-gosto, é certo que ele irá se manifestar. Sua tolerância é menor que a do cachorro por exemplo. E essa manifestação não amigável é encarada como agressão gratuita. Muitas vezes o “brincar” e o “carinho” deles vêm acompanhados de mordidas e arranhões. Assim eles procedem com seus iguais.
6. “Quando o gato mia (ou o cachorro late) embaixo da sua janela é porque alguém da casa vai morrer”.
- Juro que ouvi isso. E não foi uma vez só. Então, estou lascada porque a partir das 06:30 da manhã já começa o coral embaixo da minha janela e na cabeceira da minha cama (acompanhado de leves tapas no rosto quando demoro p acordar) pedindo comida. E eles são extremamente pontuais.
7. “O gato não é carinhoso”.
- mentira. Uns são mais, outros menos chegados a manifestações humanas de carinho.  Mas eles são muito carinhosos, sim. Até exibicionistas quando querem uma coçadinha na barriga ou atrás da orelha. E retribuem ronronando, se esfregando (para deixar seu cheiro que marca sua propriedade), e diria até, sorrindo. Quem convive com um gato sabe do que estou falando. Eles nos esperam chegar e nos dão carinho gratuito. Claro, o “amor” deles aumenta bastante no inverno. Mas isso serve para as outras espécies também.
8. “O gato é independente”.
- essa afirmação, muitas vezes serve de desculpa para algumas pessoas se omitirem com relação aos cuidados de alimentação e outros. Em que sentido ele é independente? Se deixarmos sem água e comida, ele se vira sozinho? Várias vezes ouvi essas afirmativas com essa conotação. No sentido do apego emocional, o gato é, sim, menos dependente do que o cachorro. Mas um cão muito bem “resolvido”, segundo Cesar Millan, e não frustrado em sua natureza, não exibe esse comportamento de “dependência” de seus tutores.
9. “Gato não obedece”.
- muitas vezes esse comentário vem de tutores de cães que sentem um certo prazer em exibir suas habilidades de comando. O gato obedece quando quer, quando é do seu interesse. Cesar Milan nos lembra que obedecer a comandos como “senta”, “rola”, “pega” não são características de um cão disciplinado e saudável. São simples comandos que levam o cão, por repetição demonstrar antropomorficamente determinados comportamentos. Muitas vezes são transformados em autômatos na base do medo ou da recompensa. Na maioria das vezes para a satisfação dos egos humanos. O gato simplesmente não se presta a este papel. Aí pode estar a gênese para a concepção errônea de que “os cães são mais amigos”. Os gatos são um pleno exercício de respeito às vontades, à autonomia e ao espaço dos outros.
Essas são apenas algumas frases mais ouvidas por mim. Há muitas outras, mas pincei as principais. Quando ouvi, algumas vezes, argumentei. Em outras, apenas lamentei, pois constatei que tais pessoas nunca tiveram a oportunidade de conviver, nem tempo, nem vontade suficiente para entender este ser maravilhoso, o gato.
FATOS SOBRE OS GATOS: Considerações sobre alguns comportamentos.
1. Eles nos entendem e se fazem entender.
- os gatos são rotulados de pouco inteligentes pelo senso comum (mas mais comumente, entre os que nunca conviveram tempo suficiente com um). Eu me comunico perfeitamente com meus gatos. Nos comunicamos perfeitamente. Nossa linguagem falada não é a única que comunica algo. Darwin em seu livro sobre as emoções dos animais, nos relata uma série de sinais que comunicam as intenções e necessidades dos animais não humanos. São nítidos os sinais enviados pela linguagem corporal do gato. Tudo nele fala: orelhas, rabo, bigodes, miados. Se é um feito para o ser humano, dito racional, letrado e detentor de conhecimentos entender o que um gato comunica, o que se dizer do contrário? Eles também interpretam e decodificam nossas mensagens corporais e o tom de nossa voz. Isso é de uma inteligência notável. Não precisa ser nenhum gênio para perceber a diferença de comportamento do gato quando nos dirigimos a ele com uma voz ríspida e uma voz suave (ou melosa, como eles gostam). Obviamente não é o que se diz, e sim como se diz, o que importa. Entender e se fazer entender por outra espécie é um feito que não desmerece a inteligência do gato.
2. Eles gostam de dormir empoleirados.
- às vezes nos incomodamos com esse hábito quando eles resolvem nos incluir nessa maneira peculiar de dormir. Quando em bandos, ou mesmo em dois, os gatos dormem empoleirados. Ficam uns sobre os outros. Se ele quiser dormir na sua cabeça, nas suas pernas ou na sua barriga, é porque ele o considera um igual. Sinta-se honrado.
3. Eles usam diferentes miados:
- há os rápidos que querem dizer simplesmente “oi”! ou um “estou aqui”. Há aqueles altos intermitentes e curtos que geralmente é um pedido de comida, água ou outra coisa. Há aqueles longos e melosos que pedem por alguma coisa que não é urgente, como que dizendo “pooorr favooorr”??. Há aquele miado longo acompanhado de umas fungadas dizendo que não esta gostando de algo….há aqueles miados curtos que parecem ter um ponto de interrogação no final, geralmente como que perguntando: “o que é isso que você trouxe”? “Olha, o que é isso que eu achei”? Outro som é algo como “mnhá”. Afirmativo. Bem curto. Geralmente emitido em situações em que você está fazendo algo bom para ele (carinho, comida, “conversando”), como se fosse um sinal de aprovação dele para você (isso! Sim! muito bem!).
4. Eles nos trazem “presentes”
- lagartixa, passarinho, rato, camundongo, borboleta são alguns “presentes” que já recebi. Ele simplesmente vem e larga o presente a seus pés. Não pode brigar com ele. Quando não conseguir evitar a morte do animal, pegue o “presente” e descarte. É como se ele dissesse: viu? Quer aprender a caçar também? Quando eles são ativos, essa situação é recorrente. Assim eles agem com seus iguais, principalmente com suas crias (as fêmeas caçam muito mais que os machos). Sinta-se honrado novamente. Mas às vezes eles apenas exercitam o ato da caça e deixam suas “vítimas” irem embora ilesas com uma majestosa condescendência.
5. Nem sempre mordidas e as garras para fora são sinal de defesa.
- às vezes quando acariciamos um gato, ele nos morde ou arranha. É uma forma de demonstrar seu limite. Ou de evitar que você pare antes que ele esteja satisfeito. É muito comum quando eles estão excitados e felizes, mordidinhas e arranhões leves no afã de demonstrar esse tipo peculiar de carinho. Há também o chamado ato de “amassar pão”. Trata-se de uma espécie de pisoteio lento que os gatos executam quando estão em um colo que se sentem à vontade ou em uma superfície macia. É semelhante ao ato afetivo ao mamar quando ele era filhote. Talvez ele se sinta aconchegado e muito à vontade quando faz isso.
6. Eles adoram sentar sobre o que estamos lendo.
- Ou sobre o teclado do computador. Ou sobre qualquer coisa que estejamos fazendo que tome nossa atenção. É uma forma de chamar a atenção para si. Para ganhar algum carinho. Particularmente penso que na maioria das vezes estão tirando sarro da minha cara mesmo.
7. Eles adoram lugares altos.
- claro, do alto eles tem uma visão privilegiada de tudo. E se sentem seguros.
8. Eles adoram arranhar os móveis.
- não há um móvel em minha casa que não tenha servido de arranhador um dia. Há claro, os preferidos como os sofás e um balcão. Móveis arranhados fazem parte da decoração de uma casa onde circulam gatos. Esse ato de arranhar expõe as garras novas e faz gastar as velhas. As garras estão constantemente se renovando. Arranhar também fortalece a musculatura deles. E claro, pode ser uma interessante forma de chamar sua atenção já que a tendência é se voltar para ele ao ouvir o barulho dos móveis sendo destruídos. Por isso também é bom que tenham árvores à disposição. Há arranhadores para vender mas não fazem sucesso. Porque tem que ser fixos, que resistam a uma vigorosa sessão de arranhadas. Como o sofá e as árvores.
9. Eles adoram sacos, bolinhas de papel, canudinhos e etc
- Sacos e caixas são esconderijos perfeitos para espreitar uma vítima e dar o bote. Seja em outro gato ou em você que anda despreocupadamente pela casa. Além de fazer barulho, o que eles apreciam. Bolinhas de papel, canudinhos, enfim, tudo que possa fazer as vezes de presa em uma brincadeira é motivo para festa.
É um paradoxo, mas, justamente por ter empatia com eles, os gatos, ao mesmo tempo desejo não tutelá-los, embora os ame. Explico: ter muitos gatos (e dois cachorros) em casa, a maioria vítima de maus tratos é sinal que algo não vai bem com a humanidade. É o mesmo paradoxo desejar que não existissem entidades e outras pessoas que resgatam, cuidam e dão uma vida digna para os animais mal tratados e abandonados. Em minha concepção, uma vida digna é garantir a esse animal, o máximo de condições para ele exercer saudavelmente suas funções de alimentação, deslocamento e interação com seus iguais e outras espécies.
Enfim, nada tem a ver com superlotação e confinamento. Nem com a satisfação de um ego de “possuir” um animal. Não consigo conceber, por exemplo, nem gato, nem qualquer outro animal em um apartamento, por exemplo, ilhado de sua essência. Mas no contexto atual, essas pessoas são anjos que muitas vezes abdicam de sua vida pessoal e esgotam suas economias com o único objetivo de diminuir o sofrimento de seres inocentes. E se essas pessoas assumem, assim como eu, uma responsabilidade que a principio não era para ser sua, se há animais descartados como lixo e mal tratados é porque outro ser humano não assumiu a responsabilidade que lhe cabia. Se tais entidades e pessoas existem, é porque, igualmente algo está muito errado na humanidade. Somos um recurso paliativo. Por um lado, um mal menor diante da vida livre que teriam em um passado remoto e por outro, um bem maior, diante do contexto que se apresenta.
Mas o fato inegável é que temos muito a aprender com os gatos e com todos os animais não humanos. Os gatos nos dão todos os dias lições de alteridade, tolerância, respeito, amizade e também nos ensinam, à sua maneira, a lidar com a morte. Mesmo sua morte nos diz algo. Conscientizamo-nos da transitoriedade. Lembramos da brevidade da vida. E quem dera, pudéssemos transferir essas lições a todas as nossas relações humanas.  Seria muito bom.

Os benefícios de um vira-lata

 Os benefícios de um vira-lata   

1. É mais fácil de cuidar 

Também conhecido como "sem raça definida" (ou pela sigla SRD), o vira-lata geralmente não precisa ser escovado todos os dias nem necessita de tosa. Além disso, pode tomar banho tranquilamente uma vez por mês. E, se for gato, nem precisa de banhos frequentes, já que se limpa com a língua.

2. Solta menos pelo

Como ele quase sempre tem pelagem curta, não enche móveis e roupas de pelos. É por isso também que raramente deixa a casa com cheiro de "cachorro molhado"!

3. Não custa nada

Comprar um cão ou gato de raça custa entre R$ 200 e R$ 3.000, dependendo da espécie. Já um vira-lata não custa nada para ser adquirido.

4. Não causa estragos

Filhotes são fofíssimos, mas todo mundo sabe que, até os 8 meses, eles parecem uns pequenos furacões peludos que deixam um rastro de móveis arranhados, chinelos roídos e almofadas mastigadas. Se você quer um cão e não tem paciência ou tempo para esperar essa fase passar, dificilmente encontrará à venda um animal adulto de raça. Mas vira-lata adulto é o que não falta nos abrigos. Uma pena que justamente eles tenham mais dificuldade em conseguir um dono...

5. Tem mais resistência a doenças

Segundo o biólogo Sérgio Greif, bichos de raça possuem pouca variedade genética. É por isso que de um casal de poodles só nascem poodles. Essa falta de diversidade favorece o aparecimento das doenças hereditárias típicas de cada raça: só nos cães, há mais de 500 doenças genéticas conhecidas relacionadas às raças. "Vira-latas possuem uma variedade genética maior, o que os torna mais resistentes a doenças", explica Greif. Se um rottweiler e um vira-lata entrarem em contato com o vírus da parvovirose, por exemplo, o primeiro desenvolverá a doença com muito mais facilidade do que o segundo.

6. Demonstra gratidão

Como já sofreu muito vivendo na rua ou em abrigos junto com vários outros animais, um cão ou gato sem raça definida costuma ser bem amoroso com a nova família.

7. Adapta-se ao novo lar rapidamente

Depois de passar por tantos lugares (inclusive por não ter lugar nenhum para morar!), um vira-lata se torna o bicho mais adaptável do mundo. Rapidinho ele perceberá o que pode ou não fazer na sua casa. Já o mito de que animais com mais de 1 ano não se adaptam numa nova casa não passa de mito mesmo. 

Crocodilos


    Os crocodilos ou Crocodylidae são uma família de répteis com quatorze espécies. O termo "crocodilo" também é usado às vezes num sentido mais amplo para se referir à ordem Crocodylia (crocodilianos), isto é: os crocodilos verdadeiros (família Crocodylidae), os gaviais (família Gavialidae) e os caimões, os aligatores e jacarés (família Alligatoridae).
O maior réptil hoje na face da terra é o crocodilo-de-água-salgada encontrado no norte da Austrália e ilhas do sudeste da Ásia.

Os crocodilos vivem nas Américas, África, Ásia e Austrália. Os crocodilos as margens de rios, enquanto os da Austrália e ilhas do Pacífico também frequentam o mar. O único predador natural do crocodilo é o tigre que raramente se alimenta dele em determinadas áreas da Ásia.
Os crocodilos, depois das aves, são os parentes mais próximos dos dinossauros atualmente. Tanto dinossaurios quanto crocodilos evoluíram dos tecodontes, assim como as aves podem ter evoluído dos dinossauros. Isso faz com que os crocodilos sejam mais aparentados com as aves do que com todos os outros répteis atuais. Surgiram há 248 milhões de anos aproximadamente, tendo convivido com dinossauros. Apesar de não terem a mesma mobilidade que seus antepassados, já foram registados crocodilos que podem correr nas margens de rios a uma velocidade de até 16 km/h. 2 a 3 metros.

Origem do nome 

Na Europa medieval, o crocodilo era um animal pouco menos que mitológico, conhecido apenas pelas referências de gregos e latinos que o haviam visto no Egito. Os romanos o chamaram crocodilus, palavra que tomaram do grego krokodeilos. Em textos de língua ibérica, a palavra aparece registrada pela primeira vez em 1251, como cocodrillus.
Os gregos cunharam esse nome tomando-lhe de kroké (pedra) e drilos (gusano, verme) depois de haver observado os crocodilos sobre bancos de areia e na margem dos rios desfrutando do calor do sol, imóveis como pedras.
Desde a antiguidade clássica, difundiu-se o mito de que o crocodilo emite um som semelhante a um soluço humano, quando atraem as pessoas até sua caverna. E depois de devorá-las, deixa cair amargas lágrimas, talvez de compaixão pelo triste destino de suas vítimas. Esta é a origem da expressão "derramar lágrimas de crocodilo", usada para referir-se a quem chora para fingir um sentimento que não é verdadeiro. De acordo com o professor Ari Riboldi, em seu livro O Bode Expiatório, a origem da expressão é biológica. Mas não tem a ver com fingimento.
Quando o crocodilo está digerindo um animal, a passagem deste pode pressionar com força o céu da boca do réptil, o que comprime suas glândulas lacrimais. Assim, enquanto ele devora a vítima, caem lágrimas de seus olhos.
São lágrimas naturais mas obviamente não significam que o animal se emocione ou sinta pena da sua presa. Daí vem a expressão "lágrimas de crocodilo", querendo dizer que, embora a pessoa chore, suas lágrimas não significam que ela esteja sofrendo, e muitas vezes são mesmo apenas um fingimento.

A mordida do crocodilo 

A principal arma do crocodilo é sua poderosa mandíbula recheada de dentes (podem chegar a 80). Segundo estudos de Gregory Erickson e Kent Vliet, da Universidade Estadual da Flórida, e de Brady Barr, do canal National Geographic, uma bocada de um destes animais pode chegar à incrível marca de 1.5 toneladas. Para se ter uma ideia da força da mordida, seria o mesmo que colocar um objeto de uma tonelada sobre o seu braço com algo afiado entre a pele e o objeto.
Essa impressionante explosão de energia pode perfurar o casco de tartarugas, uma das presas favoritas dos crocodilos. Apesar de ter muitos dentes este réptilnão mastiga seu alimento. Seus dentes não são alinhados adequadamente para a mastigação. Assim ele arranca pedaços das vítimas girando o corpo e rasgando a pele do outro animal. Com a carne na boca ele apenas engole ossos, pêlos e cascos inteiros.
Outro fator que impede que o crocodilo mastigue seu alimento é que o músculo que abre a boca é bem mais fraco do que o músculo que a fecha. Essa composição favorece mordidas rápidas e enérgicas. Por isso é comum observar pesquisadores lidando com animais enormes controlados com somente uma fita adesiva enrolada na boca. Quando não está servindo aos interesses de cientistas, o crocodilo pode abrir sua boca em um ângulo superior a 75º. Isso auxilia tanto na obtenção de calor em seus “banhos de Sol” quanto na maior facilidade em abocanhar animais de grande porte, como zebras,búfalos, gnus e até elefantes. 

Digestão poderosa 

Como esse réptil engole suas presas em pedaços, às vezes até membros inteiros, sua digestão tem de ser extremamente eficaz e rápida. Por muito tempo os cientistas não entendiam como o crocodilo e os jacarés conseguiam destruir esse alimento em seu estômago, proporcionalmente pequeno para um animal de centenas de quilos. Durante uma autópsia, liderada pelo biólogo Richard Dawkins, exibida semanalmente no canal pago "National Geographic Channel", descobriu-se que há uma artéria a mais no coração destes animais.
A veia passa por trás do músculo cardíaco e chega ao estômago. Assim, com essa estrutura incomum, o aparelho digestivo do crocodilo recebe mais irrigação sanguínea e consegue produzir muito mais suco gástrico para triturar a pesada alimentação do bicho.

Arara Azul

Arara Azul

Picture


A Arara Azul é o maior tipo de Arara, e o segunda maior papagaio do mundo!

Aprende aqui todo os característicasdo Arara Azul e como cuidar e treinar-lo:


Tamanho:

Uma Arara Azul e tipicamente cerca de 95 centímetros de altura do bico à ponta da cauda, ​​e pesa 1.7kg.

Esperança média de vida:
A Arara Azul em cativeiro pode viver para mas de 60 anos, dependendo da qualidade dos cuidados que recebe.

Temperamento:

Conhecido como "gigantes gentis", os Araras Azuis são aves muito carinhosa por natureza. Eles são facilmente treinados e podem ter uma ligação forte com seus cuidadores humanos.

Alimentação:
O Arara Azul preciso de alimentação especifica. Na natureza ele come as nozes de palma nut  ou fruta. Eles exigem uma dieta com muito mais gordura do que muitas otras papagaios. Nozes de macadâmia são usados ​​como um estábulo principal para a dieta da Arara Azul, bem como outros frutos secos. Coco também é desejável.Frutas frescas e vegetais, enquanto uma parte da sua dieta, são uma parte pequena em comparação com outros papagaios. Ração peletizada não e apropriado para o Arara Azul, o teor elevado de proteínas pode causar problemas renais. Na natureza, alimentam-se principalmente em nozes, sementes e alguns frutos.
Alimentos e água devem estar disponível para eles em todos os momentos e alimentos preparados retirado da gaiola após 4 horas.

Exercício:

Araras azuis têm uma envergadura de 4 metros, então elas devem ser dado tempo suficiente para se exercitar e um espaço para um bom alongamento. É uma boa idéia de dar uma Arara Azul um mínimo de 1-2 horas de tempo em uma área livre, ou outra area segura, por dia para manter seus músculos. O Arara Azul também precisa mastigar para manter seu bico e garras.


Araras Azuis como animais de estimação:

É altamente recomendável de socializar e treinar o seu Arara Azul em uma idade jovem, porque seu bico é poderoso e se não for bem treinado, eles realmente poderiam ferir alguém. Eles são pássaros doce e gentil que gostam de dar e receber afeto. Eles também são muito inteligentes e curiosos. 
A inteligência do Arara Azul significa que eles vão realmente apreciar brinquedos que eles podem explorar, subir e jogar. Fornecer uma variedade de brinquedos e comida escondida é uma ótima maneira de se certificar que seu Arara Azul vai estar contente.Porque essas aves exigem mais tempo e atenção do que outras espécies, araras azuis não são  animais de estimação para qualquer pessoa. Eles são grande, bonito, e inteligente, mas resista à tentação de levar para casa uma Arara Azul sem pensar e saber como treinar-lo.Um bico Arara Azul pode quebrar metal, o que significa que eles devem ser ensinadas desde cedo para não bicar seus cuidadores humanos. Felizmente, eles são geralmente muito dócil e calmo, e parecem gostar de aprender e de companhia humana.Outra questão que surge de bico forte é o de uma habitação adequada. Muitos proprietários Arara Azul são surpreendidos ao descobrir que uma Arara Azul pode quebrar uma gaiola normal! E melhor usar uma gaiola de aço inoxidável.Devido ao grande tamanho da Arara Azul uma gaiola muito grande é necessário. Se você puder fornecer um interior e / ou um aviário ao ar livre, tanto melhor. Uma Arara Azul precisa ao mínimo uma gaiola de 1 metros por 1 metros por 2 metros de altura.A Arara Azul é um pássaro espectacular amado no mundo inteiro pela sua beleza e sua personalidade. Com treinamento uma Arara Azul pode ser um animal de estimacão perfeito. Mas sempre lembra de comprar uma Arara Azul legalizada. Não contribui a exintção desse passaro espectacular.

Aves-Como Cuidar

Uma arara ou papagaio falante domesticado é uma ave muito atraente e como animal de estimação, sempre proporciona aos seus proprietários muito companheirismo e prazer.
Dada a característica de longevidade dessas aves, em muitos casos
são passadas de geração para geração em uma mesma família. 

Colocamos a nossa experiência à disposição dos proprietários, subsidiando-os com informações para facilitar os primeiros dias após a aquisição de um papagaio ou arara.
Esses primeiros dias são fundamentais para o desenvolvimento saudável das aves.
Quando recém adquiridos, principalmente após o estresse da viagem, as aves precisam ser tratadas com certos cuidados e não devem ficar expostas ao frio
ou umidade durante as primeiras semanas.
Uma vez adaptadas totalmente ao novo ambiente, se mostrarão ser bastantes resistentes.
ALIMENTAÇÃO

Filhotes alimentados a mão necessitam de amor, paciência e nutrição adequada.
Abaixo segue uma dieta equilibrada que já vem sendo usada com sucessos neste criadouro.
É importante seguir esta dieta pois qualquer mudança poderá alterar o desenvolvimento da ave, bem como o seu aparelho digestivo.
 papa para Psitacideos Zoofood filhotes
papa para filhotes de psitacideos Alcon
Encontram-se em pet-shop.
A mistura deve ser guardada em recipiente limpo e sempre mantido fechado.
Ofereça aproximadamente 40 ml, por refeição três vezes ao dia, misturado com água previamente fervida,certificando-se de que o papo da ave esteja vazio.
Após 60 dias de vida já podem ser alimentados com sementes.
Segue-se a dieta mais razoável e equilibrada:
 Ração para Psitacideos Mega zoo, Alcom, Nutrall, nultropica
 Mistura para Papagaio e Arara ( girassol, amendoim, aveia, milho)
 38 gramas de frutas (laranja, maçã ou banana)
 18 gramas de milho verde na espiga
 18 gramas de vegetais (batata doce cozida ou cenoura)
 Osso de ciba
 Deixar um recipiente de água à disposição.
Como adoram ficar roendo é recomendável oferecer-lhes galhos verdes de chorão, cana de açúcar ou milho com palha.
ALOJAMENTO

O IBAMA através de instrução normativa para jardins zoológicos e similares, recomenda para papagaios um alojamento de aproximadamente 1 m² por ave, com piso de terra ou cimento liso. Vejetação arbustiva ou arbórea é desejável. Sombreamento parcial; água renovável inclusive para banhos; troncos e galhos para debicar.

 Para papagaios quando em gaiola, esta deve ser de metal resistente, pois os mesmos gostam de debicar.
A gaiola deve ser a mais ampla possível, para que a ave se mantenha sempre em boas condições de saúde.
 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Cobra urutu cruzeiro

 Urutu Cruzeiro: uma das cobras mais venenosas do Brasil
Principais características

- A Bothrops Alternus, popularmente conhecida como urutu cruzeiro, é uma cobra muito venenosa. Seu veneno é um dos mais tóxicos entre todas as cobras encontradas em território brasileiro.

- Possui as presas vasadas por canais, utilizados para inocular o veneno, que é produzido pelas glândulas.
  
- A cobra urutu cruzeiro vive, em média, vinte anos.

- Seu período de atividade é crepuscular (no final da tarde) e a noite.

- Uma cobra adulta desta espécie possui de 1,10 a 1,60 metros de comprimento.

- É uma cobra agressiva quando se sente ameaçada. Possui o bote muito rápido, dificultando assim a fuga de sua presa.

- Possui a pele com a presença de três cores: castanho-escuro, castanho-claro e bege. O castanho-claro é a cor de fundo da pele, possuindo desenhos em castanho-escuro em formato de letra “U”.

Alimentação

- A urutu cruzeiro se alimenta basicamente de lagartos, aves, ratos, preás, camundongos e outros mamíferos de pequeno porte.

Habitat

- A cobra urutu cruzeiro vive em áreas de matas, campos e brejos nas regiões sul, centro-oeste e sudeste do Brasil. É encontrada também em regiões de campos da Argentina e Paraguai.


Reprodução

- A fêmea dá a luz de 10 a 18 filhotes, geralmente na época do verão.

Curiosidades
- O nome desta cobra é devido ao fato de possuir um desenho semelhante a uma cruz na parte superior de sua cabeça.

- Como esta cobra tem hábitos crepusculares e noturnos, sua visão é pouco desenvolvida.

Classificação científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Família: Viperidae
Gênero: Bothrops
Espécie: B. alternus

domingo, 21 de dezembro de 2014

Garça-branca-grande



 Características

 Mede cerca de 90 centímetros. Seu corpo é completamente branco. É facilmente identificada pelas longas pernas e pescoço, característica dos membros da família. O bico é longo e amarelado, e as pernas e dedos pretos. Apresenta enormes egretas (penas especiais que se formam no período reprodutivo). A íris é amarela.
Muitas pessoas pensam que a garça-branca-pequena (Egretta thula) é o filhote da garça-branca-grande, porém trata-se de uma espécie à parte, que difere da última por apresentar a ponta do bico e as pernas escuras, enquanto a base do bico e os pés são amarelados, sendo também menor. 

Alimentação

Alimenta-se principalmente de peixes, mas já foi vista comendo quase tudo o que possa caber em seu bico. Pode consumir pequenos roedores, anfíbios, répteis, insetos e até lixo. Em pesqueiros aproxima-se muito dos pescadores para pegar pequenos peixes por eles dispensados, chegando a comer na mão. É muito inteligente e pode usar pedaços de pão como isca para atrair os peixes dos quais se alimenta. Engole às vezes cobras e preás. Aproxima-se sorrateiramente com o corpo abaixado e o pescoço recolhido e bica seu alimento, esticando seu longo pescoço. Há relatos de pessoas que afirmam que atacam ninhos de pequenas aves em áreas de mangue, onde costumam se alimentar.

 

Reprodução

Na época da reprodução os indivíduos de ambos os sexos apresentam longas penas no dorso chamadas egretas. Estas egretas foram por muito tempo moda como adorno de chapéus e roupas na Europa e a demanda pelas penas levou centenas de milhares de garças à morte justamente em seu período reprodutivo. Felizmente é uma prática quase inexistente hoje em dia e a população desta garça é bem numerosa. Constrói o ninho, grande e feito de gravetos, em ninhais que podem ter milhares de indivíduos de várias espécies de aves aquáticas.

Hábitos

Vive em grupos de vários animais à beira de rios, lagos e banhados. É migratória, realizando pequenos deslocamentos locais ou mesmo se deslocando para além dos Andes durante os períodos de enchentes anuais.

Ninho de garça-branca-grande
Casal de garça-branca-grande



Filhote de graça-branca-grande